FONTE: Janio Lopo (TRIBUNA DA BAHIA).
Qual a Dilma (Rousseff, ministra da Casa Civil e candidata de Lula à Presidência da República) que queremos? Que tal a Dilma destemida, arrogante, exigente e que se dirige aos desafetos como imbecis? Que tal a Dilma mandona, perspicaz, que não leva desaforo para casa e tampouco teme macho? Ou você, leitor, prefere uma Dilma boazinha, delicada, dócil e amável com amigos e adversários? Quem sabe uma Dilma transbordando de feminilidade, frágil e chorona? Eis a questão. A ministra ultimamente tem sido o centro das atrações dos noticiários envolvendo suas relações com subordinados e mesmo integrantes de outros ministérios.
Dizem que a moça tem uma língua afiada – deve ter aprendido com Lula cujo linguajar vocabulário é recheado de palavrões. Mais: não se intimida nem se retrai quando, nas reuniões fechadas, chama um servidor de alto escalão de incompetente ou quando impõe o seu ponto de vista na base do que tudo o mais vá para o inferno. Mas sua expressão predileta é imbecil. São vários os significados. "Que ou quem tem a mente deficiente e inteligência igual a de uma criança de cinco anos de idade. Que ou quem é estúpido ou obtuso", me ensina o dicionário Sacconi. Chego a pensar que Dilma é o terror do Palácio do Planalto. Todo mundo por lá deve odiá-la. Mais: como uma senhora aparentemente tão distinta (gostaram da distinta?) pode pleitear o cargo máximo do País? Ou será que a sociedade machista em que vivemos não nos tornou cegos e nos impossibilitou enxergar que Dilma pode ser dura e intransigente e ao mesmo tempo meiga e carinhosa?
Afinal, ela ocupa uma posição estratégica e não há razão dela ser a boazinha, compreensível com os erros dos homens. Não há por que passar a mão pela cabeça de auxiliares diretos e indiretos incompetentes ou despreparados para executar planos e projetos. A ministra poderia estar sendo vítima do machismo reinante entre nós. Ela mesmo estaria dando uma de "macho" para se proteger da ferocidade dos machistas? Não podemos esquecer que Dilma é natural do Rio Grande do Sul, terra onde a cultura do machismo é tida como mais forte do que mesmo no Nordeste brasileiro. A ministra não engole agá de ninguém e não faz tipo de mãezona, como gostariam os mamangões de Brasília.
Ao contrário, ela não conta até dez para desqualificar aqueles que não rezam por sua cartilha. Dois baianos pelo menos sofreram nas mãos (ou na língua?) da dita cuja. O primeiro, Sérgio Gaudenzi, que teria pedido para sair da presidência da Infraero depois de discussão com a "mejera". Mais recentemente, o alvo teria sido o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, que teria ido a pranto não se sabe se de raiva ou de arrependimento por ter aceito o cargo e dele se apegado a ponto de não querer mais sair nem mesmo com os desaforos da ministra.
A última "vítima" de Dilma foi o secretário executivo do Ministério da Integração Nacional, Luiz Antônio Eira, que pediu demissão. Teria sido chamado "carinhosamente" de imbecil por "Dilmão". Temos de reconhecer que Dilma tem pulso forte, poder de repreensão e determinação. Os machistas que me desculpem, mas acredito que estamos precisando de uma mulher de fibra na Presidência, mas educada, e não uma dondoquinha de boas maneiras.









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